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  • Cada um de nós É o TODO, dentro da sua singularidade.
    Para descobrir isso, foi necessário ficar sozinha e, sozinha, mergulhar dentro do universo que Eu Sou.
    É esta a derradeira aventura. A maior aventura… e a mais difícil, também!
    As pessoas têm medo de ficar sozinhas, porque não sabem o que vão encontrar. Não sabem quem vão encontrar. E têm razão!
    Já não sabia quem era… Então, ao fim de 47 anos, encontrei, e Sou, uma Mafalda que, até agora, me era totalmente desconhecida.
    Para isso, tive de pedir ajuda.
    E parti… à procura da Mafaldinha, a criança que eu fui, e que nunca devia ter deixado de ser.
    A Mafaldinha, criança feliz, amada, carinhosa, terna, espontânea, alegre, brincalhona, ainda sem máscaras, e que vê claramente a beleza que existe em tudo e em todos.
    Aquela que acredita que está aqui para ser feliz.
    Aquela que ama sem condições… apenas… ama!
    Fui encontrá-la lá atrás, onde a deixei, feliz, a brincar sozinha.
    “Olá! Onde estiveste?”, perguntou ela. “Um dia partiste, e deixaste-me sozinha. Estavas feliz por ter crescido tão depressa. Nem olhaste para trás! Pensei que voltasses, mas passou-se tanto tempo, que achei que te tinhas esquecido de mim. Porque te foste embora? Onde foste? O que fizeste? És feliz?”
    Abracei-a, com as lágrimas nos olhos… aquela criança linda, de cabelo apanhado no alto da cabeça, como um repuxo, com um malmequer no centro. De vestido branco, de bordado inglês, com sapatos e meias brancas. É assim que eu a/me vejo, sempre.
    “Que saudades, meu Amor!”, disse-lhe, apertando-a contra o meu peito, chorando. “Sabes… quando te deixei, achei que não ia precisar de ti. Estava feliz e ansiosa de me tornar adulta, e viver a vida que os adultos vivem. Estudei, tirei o curso, diverti-me, namorei, casei, tive três filhos lindos, uma família que amo, amigos do coração, uma profissão de que gosto imenso, uma casa linda… Só que a vida sem ti não tem o mesmo sabor.
    Percebi que nunca te devia ter deixado.
    Percebi que tu és o meu lado mais puro, mais genuíno. E isso custou-me muitos dissabores. Mas a vida é assim… Agora entendi a lição. E vim buscar-te, querida Mafaldinha, porque quero que me acompanhes até ao fim dos meus dias. Com tudo aquilo que aprendi, até agora, e a tua alegria e espontaneidade, nada nos deterá. Juntas, temos uma missão muito importante a cumprir.”
    Percebi que não devemos ter pressa em nada, na vida. Nem pressa de crescer, nem pressa de viver.
    Percebi que, regra geral, toda a gente tem a mesma pressa. E que, ainda por cima, a passamos para os nossos filhos, quando pensamos ou dizemos: ”Tomara que cresça!”
    E percebi que, se não travarmos esta pressa toda, as gerações se sucederão a um ritmo vertiginoso, criando crianças com pressa de crescer e adultos com pressa que os filhos cresçam.
    Chega! STOP!!! Sinal vermelho! Estamos a encher o planeta de adultos demasiado sérios e sem graça nenhuma (eu, por exemplo!)
    A vida é dura, sim, mas pode ser muito mais aprazível, se a soubermos saborear… sem pressas. Se tivermos o cuidado de não “despedir” a criança que fomos, e a soubermos manter sempre de mãos dadas, junto a nós, vamo-nos tornar adultos mais leves, mais equilibrados, mais inteiros, mais genuínos, mais brincalhões, mais transparentes, mais felizes…
    Foi isso que eu descobri, quando fiquei sozinha. A minha grande aventura foi voltar lá atrás, foi abrir as muitas gavetas onde tinha guardado emoções e sentimentos mal resolvidos e, com a ajuda da Mafaldinha, trabalhar essas emoções e sentimentos e libertá-los, como um balão cheio de gás que se solta, no meio de um jardim, leve… leve…
    Agora sei que tenho tudo.
    Agora sei que estou completa.

    Esta fotografia é da Mafaldinha com 52 anos de diferença. Adorei ver que o sorriso é o mesmo 🙂

  • 2 comments

    A lucidez de suas palavras impulsiona o encantamento da criança adormecida que pulsa e renasce em nossos corações. Com saudades e carinho. Bia

    Reply

    Querida Bia, um enorme abraço da minha criança para a sua! Saudades, muitas!

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